A beleza da velhice não está na ausência de rugas, mas na presença de significados. É a passagem do tempo como um processo de refinamento. “Dizem que o tempo é um escultor severo, mas raramente paramos para admirar a obra que ele entrega ao final de décadas do entalhador. Há uma beleza silenciosa na velhice, uma atração que não estampa nos ‘outdoors’, mas que sussurra nas dobras da pele e na transparência do olhar. É a luz dourada e acolhedora do entardecer, que a pressa da juventude não permite ver. Esse contraste nos outorga focar no valor utilitário e estratégico da experiência e transmissão de saber”. Vivemos a ditadura do imediato, onde a inovação é comemorada antes mesmo de ser testada. No entanto, há um tipo de beleza – e de inteligência – que a tecnologia não consegue imitar ou competir: a precisão do olhar de quem já viu o filme da história passar várias vezes. Enquanto a juventude se perde no ruído das possibilidades, a experiência do velho atua como um filtro, separando o que é urgente do que é importante. O jovem corre mais rápido, mas o velho conhece o atalho. Ao fim, a beleza da velhice é a prova de que sobrevivemos. Saibamos olhar para os nossos velhos – não como quem vê um ‘rascunho’ que se apaga, mas como uma contemplação de uma edição de luxo. A verdadeira elegância não é parecer jovem, mas carregar no corpo toda a ‘quilometragem’ vivida, saber fazer: a diferença entre a teoria acadêmica (jovem) e o “pulo do gato” (velho). E qual o papel do idoso nisso tudo? Ser o elo que impede que a cultura regional se dissolva na ‘globalização’. “Et finalement: A velhice é frequentemente retratada como a necessidade de reflexão, com o escritor brasileiro Machado de Assis, focando no acúmulo de experiências; com o filósofo e polímata (experiência em diversas áreas) Aristóteles na cultura como conforto e com o filósofo romano e estadista Séneca, na importância de uma vida digna até o fim.
Fernando de Miranda Jorge
Acadêmico Correspondente da APC
Jacuí/MG – e-mail: fmjor31@gmail.com