Não faz muito tempo, li a recomendação de “O Eclesiastes” de que há um tempo determinado para todas as coisas. A bem da verdade, o meu tempo vem se encurtando a uma velocidade galopante! O tempo sempre foi um problema desde o princípio do tempo. Trata-se de um problema redundante, pois o problema do tempo é o próprio tempo. Para uns, a realidade é mudança contínua; para outros, o mundo desse nosso tempo está indo para o vinagre! Segundo Platão, não pode haver presente vivo com passado morto. Na verdade, quando jogamos o passado pela janela, logo ele volta pela porta principal disfarçado, estranho! – E ele acaba nos seguindo por toda a vida. A enigmática pergunta da literatura (área em que tenho algum domínio) é por que a escrita se vê obrigada à sequência ao invés de coexistência? – Acho que é porque a linguagem consiste em unidades sucessivas. Isso ocorre com a poesia e com a música. É por meio da dramaturgia que Platão, Shakespeare, Bach, Machado de Assis, Guimarães Rosa e Érico Veríssimo – pessoas de constante primavera – conseguiram obter o melhor da escrita e da fonética. A literatura é o grande laboratório do tempo. Guimarães Rosa disse que as pessoas de primavera não têm outono; não morrem. Ficam encantadas!
Paulo Augusto de Podestá Botelho (Paulo Botelho) é Professor e Escritor.
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