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O ontem: Jacuhy (A Força da Província). No século XIX e início do XX, o “h” e o “y” não eram apenas letras; representavam o status da Vila de São Carlos do Jacuhy. Era o centro administrativo e comercial de uma região vasta, por onde passavam os tropeiros e a elite cafeeira. Falar de Jacuhy é evocar a imagem de uma cidade que foi “mãe” de várias outras no sudoeste mineiro, com sua arquitetura colonial imponente e a força da extração de “ouro” e da agropecuária original. O Hoje: Jacuí (A Identidade Preservada). A transição para a grafia moderna, Jacuí, simboliza a adaptação ao novo tempo. A cidade de hoje é o retrato da mineiridade resiliente, isto é: adaptar-se a mudanças. Se antes era o centro de decisões provinciais, hoje é o refúgio da tranquilidade, da cultura do café de qualidade e das festas tradicionais, regionais e religiosas que mantém vivo o espírito daquela antiga vila. O Jacuí atual, ainda respeita a duro custo o pouco que sobrou do Patrimônio Histórico Cultural (muitos foram ao chão por mãos desavisadas), mas olha para o futuro com a simplicidade típica do interior, sem notar o valor real. O Elo, o que mudou foi apenas a escrita. A essência – o povo acolhedor e a paisagem das montanhas – permanece a mesma. Jacuhy é a memória; Jacuí é a vida pulsante. Jacuhy ontem: clima frio, inverno rigoroso. Cidade pacata. Povo simples e hospitaleiro. A vizinhança amiga. Não havia estratificação social. Todos estudavam no mesmo Grupo Escolar, passeavam na mesma praça e oravam nos dois locais – Igreja Católica Matriz e Igreja Presbiteriana. As contendas políticas PSD e UDN eram só políticas. O comércio era dominado pelos “Árabes”… Não havia rodoviária, mas linha de ônibus regulares para Guaxupé e Paraíso. Não havia Hospital, entretanto, a saúde era bem cuidada pelo médico de família doutor Geraldo Virgíneo dos Santos e dos dedicados enfermeiros Benedito Izidoro e Nogueira. Os dentistas eram todos práticos. Jacuí hoje: Clima ameno, verão rigoroso, cidade movimentada. Povo afável com visitantes, turistas ou estranhos. Vizinhança, pouco contato. O comércio com alta concentração de mercado em SS do Paraíso. Tem rodoviária, mas não tem ônibus intermunicipais. Tem “Hospital”, mas não tem médicos especialistas, nem internações. As fazendas dos bairros rurais são informatizadas e munidas de maquinários de última geração. Enfim, “Jacuhy” é a memória gravada no granito e na história; “Jacuí” é a vida pulsante que caminha por essas mesmas ruas. Mudou-se a grafia, mas o horizonte que nos abraça continua sendo o mesmo retrato de beleza e tradição.  

 

Fernando de Miranda Jorge

Acadêmico Correspondente da APC

Jacuí/MG – e-mail: fmjor31@gmail.com    

 

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