Muzambinho, 23 de maio de 2024

Livro, Caderno e Lápis

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
IMPRIMIR
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

Dia desses, de pandemia sem fim, estive pensando com tristeza neste Brasil tão sofrido sob a usinagem da burrice siderúrgica (combinação de estupidez, ignorância e falta de consideração)  dos atuais dirigentes (leia-se predadores) deste país. Por isso, demorei para assimilar uma notícia veiculada pelos jornais aqui do Sudeste. A notícia, com foto, veio do Nordeste, de Pernambuco. – “Uma menina de 8 anos de idade, agarrada à sua mochila, é resgatada de enchente”. – E o que tinha dentro da mochila? – Um livro, um caderno e um lápis, além de uma sandália e uma boneca. A menina de nome Rivânia, foi orientada pela avó a salvar só o que fosse mais importante para ela. Rivânia não salvou a sua única boneca de pano, tampouco a já gasta sandália havaiana. Salvou, apenas, a mochila com o livro, caderno e lápis. 

Tal como o feijão e a farinha de mandioca, o livro é para ela um produto de consumo; um bem de subsistência.

Assim como  o caderno e o lápis, o livro é uma invenção consolidada a ponto das revoluções tecnológicas (Internet e suas variáveis) não terem meios de acabar com ele.

Todos os dias no Brasil é plantado, em média, o equivalente a uma área de 500 campos de futebol de árvores para a produção de papel. Brasil e India são os dois maiores produtores de lápis do mundo.

O livro não descansa. Na estante, ou amontoado ao ar livre, os anos passam por ele como ventos macios. Indiferente a tudo, segue seu caminho. Resiste a tudo: aos anos, aos leitores, aos críticos. – E às enchentes, pois ele sabe que sempre haverá uma Rivânia, com caderno e lápis, a registrar as tentativas para o seu desaparecimento.

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Escritor.

E-mail: [email protected]        Site: https//paulobotelhoadm.com.br

Notícias Recentes