Volta às aulas começa com professores esgotados e quase metade pensando em deixar a carreira

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(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Casagrande Social revela um cenário preocupante entre os professores brasileiros às vésperas da volta às aulas. O levantamento, que ouviu 5.247 docentes da Educação Básica das cinco regiões do país, aponta crescimento do desgaste emocional, da sobrecarga de trabalho e da perda de perspectiva na profissão.
Segundo os dados, 66,4% dos professores afirmam terminar frequentemente ou sempre a jornada emocionalmente esgotados. Além disso, 48,3% dizem já ter pensado seriamente em abandonar a carreira no último ano.
A pesquisa mostra ainda que 76,5% dos docentes trabalham regularmente além da jornada prevista e 68,9% relatam dificuldade para se desligar mentalmente das atividades escolares mesmo após sair da escola.
O estudo ouviu profissionais da Educação Infantil ao Ensino Médio, das redes pública e privada. Do total de participantes, 71% atuam em redes públicas municipais ou estaduais, apresentando um panorama amplo dos desafios enfrentados atualmente pelos educadores.
Para o presidente do Instituto Casagrande Social, Renato Casagrande, o problema não está apenas no volume de trabalho, mas no aumento da complexidade das responsabilidades atribuídas aos professores.
“Hoje o professor precisa ensinar, incluir, lidar com questões emocionais, administrar conflitos, dialogar com famílias e responder por diversas exigências institucionais”, afirma.
Entre os principais desafios apontados pelos docentes estão a dificuldade em manter a atenção dos estudantes (72,8%), a indisciplina em sala de aula (69,7%) e o aumento das demandas emocionais e sociais trazidas pelos alunos (67,9%).
O Paraná aparece com índices superiores à média nacional em diversos indicadores. Entre os professores participantes do estado, 69,1% relatam esgotamento emocional frequente e 51,6% afirmam ter pensado em deixar a profissão.
Os relatos coletados na pesquisa também revelam o impacto emocional da rotina escolar. Muitos professores afirmam sentir que continuam apaixonados pela educação, mas enfrentam dificuldades para permanecer na carreira diante da pressão diária.
Para Renato Casagrande, melhorar a qualidade da educação passa necessariamente pela valorização e pelo cuidado com os profissionais que atuam nas escolas.
“Não haverá educação de qualidade de forma sustentável com professores permanentemente esgotados, desprotegidos e desvalorizados”, destaca.
A pesquisa “O Estado do Professor Brasileiro 2026” foi realizada entre maio e junho de 2026, envolvendo docentes das 27 unidades da Federação e profissionais das redes públicas municipais, estaduais e federal, além de instituições privadas, comunitárias e confessionais.

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