Copa do mundo de futebol acontecendo, maioria do povo mobilizado, não como antes. Mas o papo aqui hoje é outro: “ Tem uma coisa engraçada na vida, quando a gente é jovem acha que envelhecer é um problema. Quando envelhece, descobre que era não entender a vida, porque chega uma idade em que o espelho para de fazer média com a gente. Cabelo muda, o joelho faz barulho, a coluna começa a dar opinião própria e chega numa fase que levantar da cadeira, virou uma operação meio coordenada. O cérebro ordena, o joelho analisa, a coluna negocia e só depois o movimento acontece. O mais curioso é enquanto o corpo vai reclamando um pouquinho mais, a alma vai ficando mais tranquila. Já repararam isso? Paramos de querer ganhar todas as discussões; paramos de querer provar que estamos certo; paramos de gastar energia sabe? E começamos a valorizar o que realmente importa: uma boa conversa, um café sem pressa, um abraço sincero, uma mensagem simples – perguntando – cê tá bem? Quando chegamos nessa fase da vida, descobrimos que felicidade não mora nas coisas grandiosas, às vezes ela mora nos detalhes. Mora no neto que chega correndo, no amigo antigo que às vezes ainda lembra de uma história lá da juventude, da família reunida, na saúde que permite continuar caminhando e vamos combinar uma coisa? Depois dos 70, acordar sem dor já é quase um presente de Deus. Dormir noite inteira então, não é descanso é milagre. Mas existe uma beleza enorme em continuar amando a vida, apesar das cadeiras vazias que algumas pessoas deixaram pelo caminho, sonhando, continuamos fazendo planos, continuamos acreditando porque envelhecer não é desaparecer, é aprender a enxergar melhor o que realmente tem valor. Hoje não existe a mesma pressa de antes, mas existe muita gratidão e talvez seja isso que o tempo faz com as pessoas. Finalmente paramos de contar os anos e começamos a contar os momentos que realmente valeram a pena”.
Fernando de Miranda Jorge
Acadêmico Correspondente da APC
Jacuí/MG – e-mail: fmjor31@gmail.com