Escrever uma coluna semanal reside no ritmo compassado do respiro criativo: criamos um compromisso com o público que nos permite observar o mundo de forma mais analítica, transformando as reflexões que marcam a rotina. Essa rotina consiste no ritual da pausa. A exigência de um texto periódico faz com que o colunista se afaste dos ruídos do dia a dia por algumas horas para observar o que acontece e traduzir em escrita a essência do nosso título. Outro ponto é a intimidade do diálogo. Há uma relação de cumplicidade que se constrói com o leitor a cada sete dias. O espaço da coluna torna-se um local de encontro, onde a presença do autor é cobrada e esperada. A periodicidade semanal funciona como um treino constante. É a liberdade de testar novos estilos, abordagens e análises sem a obrigação de cobrir o factual diário, focando no emocional. A escritora e jornalista Clarice Lispector, por exemplo, utilizava a exigência do prazo semanal para lapidar textos curtos que atravessaram gerações. Nos meus textos – sejam crônicas, artigos cotidianos ou editoriais -, utilizo o Lead (lide). Busco responder logo no primeiro parágrafo às perguntas essenciais: o que, quem, quando, onde, como e por quê, “ou simplesmente me deixo guiar pela intuição momentânea. Afinal, escrever é traduzir a vida”.
Fernando de Miranda Jorge
Acadêmico Correspondente da APC
Jacuí/MG – e-mail: fmjor31@gmail.com